Todos os meus sonhos de menina, ainda hoje, guardo no coração. Eram sonhos movidos pela alegria e gratidão.
Não conhecia as tristezas da vida e tampouco as pedras no caminho.
Sonhava em ser e fazer.
Não contava com ressentimentos nem cansaço ou preguiça.
Tinha a certeza dos limpos de qualquer dureza: da alma ao sentimento.
Trago esses sonhos, ainda, como lembranças da ingenuidade, recordações da simplicidade, de um jeito bom de ser.
Houve dia em que pensei resgatá-los, em outro destruí-los...
Mas permanecem comigo, como neste instante em que escrevo.
Sonhei ser uma grande escritora: via-me alta, esguia e falante. Com livros publicados aos montes. Todos lidos e apreciados.
Parecia fácil, sem intermediários, somente eu e o público.
Sonhei ser pianista. Tão pequena, diante do piano majestoso.
Quis ser advogada, psicóloga e palestrante...
Sonhos nem tão distantes, parece que ainda ontem os tive como certeza.
Alguns realizados, outros deixados de lado. Na vida não se pode ser tudo.
Há que se escolher caminhos, seguir tendências interiores sem, contudo, brigar com a realidade.
Minhas escolhas são conscientes, mas guardo comigo a certeza de que meus sonhos de criança são uma parte boa de mim.
Do tempo que acreditava que na vida tudo podia, sem obstáculos intransponíveis.
Que a minha vontade era a voz que não perguntava o por quê, mas sabia a resposta.
São estes sonhos que guardo, como lembretes, de um tempo em que era comum ser feliz simplesmente.